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CRISE SILENCIOSA NAS ESCOLAS

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Sintep de Lucas do Rio Verde

Estudo do SINTEP revela cenário alarmante de adoecimento na educação de Lucas do Rio Verde e reacende o debate sobre a Licença-Prêmio. Relatório técnico aponta sobrecarga de trabalho, crescimento dos afastamentos e impactos diretos para mais de 13 mil estudantes da rede municipal. Sindicato ingressa na Justiça para garantir o direito dos servidores.

Os dados da educação pública municipal de Lucas do Rio Verde acenderam um sinal de alerta. Um estudo técnico elaborado pelo SINTEP/LRV, a partir da análise das portarias publicadas no Diário de Contas referentes ao mês de abril de 2026, revela um cenário preocupante de sobrecarga de trabalho, adoecimento funcional e crescente pressão sobre os profissionais da educação.

A pesquisa foi construída com o objetivo de compreender os impactos da organização funcional da rede sobre os trabalhadores da educação, identificar indicadores de adoecimento ocupacional, analisar o volume de suplementações e complementações e verificar os reflexos das substituições e afastamentos no cotidiano escolar. Os resultados mostram que a situação exige atenção urgente do poder público e da sociedade.

Os números que preocupam

O levantamento analisou dados de 1.457 servidores da Rede Municipal de Ensino, sendo 789 professores e 668 monitores. Entre os dados mais expressivos estão os 627 registros de atestados e licenças médicas identificados em apenas um mês, além de outros 142 afastamentos relacionados a cursos, licenças e situações administrativas.

O estudo aponta uma incidência aproximada de 43% de afastamentos proporcionais entre os servidores analisados, índice considerado elevado para um único período de observação.

Para o diretor da Rede Municipal do SINTEP/LRV, Dionísio Cassenoti, os números revelam uma realidade que precisa ser enfrentada com responsabilidade.

“Os dados que encontramos nesse estudo são extremamente preocupantes. Quando identificamos 627 registros de atestados e licenças médicas em apenas um mês, estamos diante de um sinal claro de que algo não está funcionando como deveria dentro da rede municipal.

Não estamos falando apenas de números. Estamos falando de pessoas. De profissionais que dedicam suas vidas à educação pública e que, muitas vezes, estão trabalhando sob pressão constante, enfrentando jornadas ampliadas, acúmulo de funções e desgaste emocional.

O que mais nos preocupa é perceber que as escolas com maiores índices de afastamentos são justamente aquelas que também apresentam maiores necessidades de substituições e reorganizações internas. Isso demonstra que existe uma relação direta entre sobrecarga e adoecimento.

O estudo não foi produzido para apontar culpados. Ele foi elaborado para mostrar uma realidade que precisa ser enfrentada com responsabilidade, diálogo e políticas públicas que valorizem os trabalhadores da educação.”

As escolas mais afetadas

O relatório também identificou as unidades escolares que registraram os maiores índices de afastamentos médicos durante o período analisado.

Os dados demonstram concentração significativa de afastamentos em determinadas unidades escolares, indicando necessidade de monitoramento institucional e acompanhamento técnico das condições de trabalho.

Quando falta gente, sobra sobrecarga

Além do adoecimento, o estudo identificou um elevado volume de reorganização funcional dentro da rede municipal.

Somente em abril foram registradas aproximadamente 7.193 horas de complementações, 6.709 horas de substituições e mais de 1.367 horas de suplementações.

Segundo o estudo, a elevada quantidade de suplementações pode indicar insuficiência do quadro efetivo de profissionais e necessidade de políticas permanentes de recomposição de pessoal.

As escolas que mais necessitaram de substituições também aparecem entre aquelas que apresentam maiores índices de afastamentos.

Para os pesquisadores, a coincidência entre altos índices de afastamentos e alta demanda por substituições fortalece a hipótese de uma relação direta entre sobrecarga funcional e adoecimento ocupacional.

O impacto chega aos estudantes

Os efeitos desse cenário ultrapassam a vida funcional dos trabalhadores e atingem diretamente a qualidade da educação ofertada à população.

Entre os impactos identificados pelo estudo estão a alta rotatividade de profissionais, descontinuidade pedagógica, prejuízos ao planejamento escolar, comprometimento da hora-atividade e dificuldades no acompanhamento dos estudantes.

Atualmente, a rede municipal atende aproximadamente 13.750 estudantes. Para o SINTEP, garantir melhores condições de trabalho para os profissionais significa também garantir melhores condições de aprendizagem para milhares de crianças e jovens do município.

Para o presidente do SINTEP/LRV, Eriksen, o relatório expõe uma realidade que já era percebida nas escolas, mas que agora ganha sustentação técnica.

“O que esse relatório revela é um cenário assustador.

Estamos falando de uma rede que atende mais de 13 mil estudantes e que hoje funciona sob uma pressão cada vez maior sobre seus profissionais. Quando quase metade dos trabalhadores analisados registra algum tipo de afastamento, isso não pode ser tratado como algo normal.

O adoecimento dos profissionais da educação não acontece por acaso. Ele é resultado de um processo de sobrecarga que vem se acumulando ao longo dos anos e que agora aparece de forma explícita nos dados.”

Segundo o presidente, o problema ultrapassa a dimensão trabalhista.

“Quando um profissional se afasta, não é apenas o trabalhador que sofre. A escola precisa se reorganizar, os colegas absorvem mais demandas e os estudantes convivem com interrupções e mudanças no processo pedagógico. É um efeito em cadeia que atinge toda a comunidade escolar.”

O relatório aponta caminhos

Além do diagnóstico, o estudo apresenta uma série de recomendações para enfrentar o problema.

Entre elas estão a implantação de um programa permanente de saúde mental, acompanhamento psicossocial aos profissionais da educação, monitoramento técnico do adoecimento funcional, convocação de aprovados em concurso público, recomposição do quadro efetivo, criação de banco permanente de substituição, fortalecimento da hora-atividade, reorganização das jornadas de trabalho e redução da dependência de suplementações.

O relatório também recomenda a criação da figura do professor volante para atender demandas temporárias de substituição e reduzir a pressão sobre as equipes escolares.

Licença-Prêmio entra no centro do debate

Os dados apresentados pelo estudo também reacenderam uma discussão importante dentro da rede municipal: a necessidade de garantir efetivamente o direito à Licença-Prêmio.

Para o SINTEP, quando os indicadores demonstram crescimento dos afastamentos, ampliação de jornadas e sinais de adoecimento ocupacional, o direito ao descanso passa a ser uma ferramenta essencial de preservação da saúde física e mental dos servidores.

A Licença-Prêmio representa não apenas o reconhecimento pelos anos dedicados ao serviço público, mas também uma oportunidade de recuperação física, emocional e psicológica dos trabalhadores.

SINTEP leva a luta para a Justiça

Diante das dificuldades enfrentadas por servidores para usufruírem desse direito, o SINTEP decidiu avançar para uma nova etapa da luta.

A entidade ingressou com ação judicial para garantir o cumprimento da Licença-Prêmio aos trabalhadores da educação.

O processo tramita sob o número:

1003640-65.2026.8.11.0045

Para Eriksen, a judicialização da questão tornou-se necessária diante da realidade vivida pelos profissionais.

“É impossível analisar esse relatório sem sentir indignação. Indignação porque os trabalhadores seguem sustentando a educação pública mesmo diante de jornadas ampliadas, falta de pessoal, substituições constantes e condições que afetam diretamente sua saúde física e mental.

O mais grave é que, ao mesmo tempo em que os indicadores demonstram a necessidade urgente de cuidar desses profissionais, muitos ainda encontram dificuldades para exercer direitos garantidos pela legislação, como a Licença-Prêmio.”

Segundo ele, a ação judicial representa mais do que uma medida jurídica.

“O SINTEP não aceitará que esse cenário seja naturalizado. Nossa responsabilidade é transformar esses dados em mobilização, em cobrança e em ações concretas. Foi exatamente por isso que ingressamos com a ação judicial para garantir o direito à Licença-Prêmio.

Defender a saúde dos trabalhadores da educação não é apenas uma pauta sindical. É uma defesa da própria educação pública. Porque quando um profissional adoece, toda a comunidade escolar sente os impactos.”

Defender quem educa é defender a educação

O estudo técnico do SINTEP/LRV deixa uma mensagem clara: não existe educação pública de qualidade sem profissionais valorizados, saudáveis e respeitados.

Os números mostram que o adoecimento está crescendo, que a sobrecarga tem se intensificado e que os impactos já alcançam estudantes, famílias e toda a comunidade escolar.

Mais do que um diagnóstico, o relatório se torna um chamado à reflexão e à ação.

Para o SINTEP, garantir condições dignas de trabalho, proteger a saúde dos profissionais e assegurar direitos como a Licença-Prêmio são medidas fundamentais para fortalecer a educação pública e valorizar aqueles que dedicam suas vidas à formação das futuras gerações.