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No segundo dia do Congresso, Centrais sindicais reforçam estratégia de luta.

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Sintep de Lucas do Rio Verde

Debate reúne lideranças da CUT, CTB, Intersindical e CSP-Conlutas para analisar a conjuntura, denunciar retrocessos e apontar caminhos para a mobilização da classe trabalhadora.

A mesa sobre política sindical reuniu representantes da CUT, CTB, Intersindical e CSP-Conlutas no 35º Congresso da CNTE e evidenciou a centralidade da unidade da classe trabalhadora diante dos desafios impostos à educação e aos direitos sociais no Brasil e no mundo. O debate foi mediado por Rosilene Corrêa, secretária de Finanças da CNTE, que destacou a importância da articulação entre as centrais para fortalecer as lutas históricas do movimento sindical.

Na abertura, Rosilene afirmou que a presença das diferentes centrais no congresso reafirma a necessidade de caminhar coletivamente. “A classe trabalhadora precisa estar reunida para vencermos as nossas batalhas na educação. É caminhando juntos que teremos um Brasil mais justo e com a classe trabalhadora respeitada”, declarou.

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Direitos Humanos

Representando a Intersindical, Joana de Oliveira resgatou a trajetória do movimento sindical e defendeu a unidade como condição para a vitória da classe trabalhadora. “Buscamos a unidade porque acreditamos que, sem unidade, não é possível vencer”, afirmou.

A dirigente trouxe ao centro do debate a solidariedade internacional e a defesa dos direitos humanos ao denunciar a situação do povo palestino. Para ela, cabe ao movimento sindical se posicionar diante de violações graves. Joana defendeu que o governo brasileiro rompa relações com Israel, classificando o que ocorre na Palestina como genocídio, e ressaltou o caráter histórico do congresso. “Esse congresso ocorre em um momento histórico. Viva a classe trabalhadora mundial”, disse.

Avanço da extrema direita e disputa de projetos

Matheus de Morais Lima, secretário de Articulação de Políticas Setoriais, analisou a conjuntura internacional e nacional, destacando o crescimento da extrema direita e seus impactos sobre a classe trabalhadora. Segundo ele, o mundo vive uma disputa entre projetos distintos.

“De um lado, o velho imperialismo, especialmente o norte-americano; de outro, a ascensão da China, que é uma experiência própria do povo chinês e que merece um debate mais aprofundado”, explicou.

Para Matheus, o cenário global é marcado por uma ofensiva conservadora, visível em conflitos como os da Palestina e do Líbano, e pelo fortalecimento de projetos autoritários. Ele avaliou que, se antes o principal inimigo era o neoliberalismo, hoje a classe trabalhadora enfrenta uma extrema direita mais violenta, autoritária, machista, homofóbica e negacionista, muitas vezes sem compromisso com a democracia.

Ao tratar do Brasil, destacou que a derrota do bolsonarismo e a eleição de Lula representaram uma vitória histórica, ainda que limitada, fruto de uma ampla aliança. “Foi uma vitória importante, mas cheia de limites. O bolsonarismo não desapareceu e segue como uma força política real”, afirmou.

Diante desse cenário, apontou o dilema dos movimentos populares: sustentar o governo e, ao mesmo tempo, pressionar por mudanças estruturais. “Sem avanços reais, não há sustentação popular possível”, disse, defendendo que a unidade construída nas ruas e nas urnas seguirá sendo essencial.

Reforma trabalhista 

Representando a CTB, Ronaldo Leite concentrou sua fala nos impactos da reforma trabalhista de 2017. Para ele, as mudanças não atingiram apenas direitos, mas a própria estrutura de resistência da classe trabalhadora.

Ronaldo destacou o fim da contribuição sindical compulsória, a ampliação do trabalho intermitente e as restrições à negociação coletiva, que impuseram severas limitações ao movimento sindical e aprofundaram a precarização. Citou a expressão “carteira assinada sem salário” para ilustrar o cenário.

Apesar disso, ressaltou o papel estratégico dos sindicatos da educação, que seguem entre os mais organizados e representativos das centrais, reafirmando a importância do setor na resistência aos retrocessos.

CUT, autonomia sindical e desafios atuais

O secretário da CUT, Ariovaldo de Camargo, resgatou a origem da central e seu compromisso com a liberdade e a autonomia sindical. Lembrou que a CUT nasceu para romper com o modelo de tutela do Estado sobre a organização dos trabalhadores.

Segundo ele, embora o ideal inicial fosse a construção de uma central unificada, divergências históricas impediram esse avanço. Ainda assim, a CUT manteve o compromisso com a auto-organização, tendo como referência a Convenção 87 da OIT. Para Ariovaldo, o desafio atual é avançar em um modelo sindical capaz de fortalecer a resistência frente aos interesses do capital. “Ou você está ao lado dos progressistas, ou está somando do outro lado”, afirmou.

Piso, eleições e mobilização

Ao encerrar a mesa, Rosilene Corrêa reafirmou que a luta pelo piso salarial do magistério é uma bandeira histórica da CNTE. Destacou a importância de compreender o percurso político do país nas últimas duas décadas para orientar a ação sindical no presente.

Segundo ela, o debate só produz mudanças reais quando se transforma em mobilização. Embora a reeleição do presidente Lula seja fundamental, não resolve sozinha os problemas estruturais da educação. Rosilene alertou para a necessidade de enfrentar também governos municipais que não apoiam as lutas educacionais.

Por fim, afirmou que 2026 será um ano decisivo para a educação, exigindo organização, mobilização permanente e unidade do movimento sindical para garantir avanços concretos e a valorização dos profissionais da área.