O 35º Congresso Nacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), que conta com a participação do presidente da Subsede de Lucas do Rio Verde, Eriksen Carpes, como delegado, foi palco de um debate profundo e necessário para o futuro da educação pública brasileira. Um dos grandes destaques da programação foi a intervenção do renomado neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que trouxe uma visão contundente e crítica sobre o avanço da Inteligência Artificial (IA) na sociedade e nas escolas.
Nicolelis não poupou palavras ao descrever o entusiasmo atual em torno da tecnologia como o “maior delírio coletivo da história da humanidade”. Para o cientista, o que hoje chamamos de IA não é verdadeiramente inteligente e tampouco totalmente artificial.
A Biologia contra o Código Digital
O argumento central de Nicolelis, apresentado aos educadores de todo o país, é que a inteligência é uma propriedade exclusivamente biológica. Ela é o resultado de bilhões de anos de seleção natural e interação constante com o ambiente, algo que não pode ser replicado em linhas de código digital ou máquinas.
Para o neurocientista, a ideia de que sistemas digitais possam superar o cérebro humano é categoricamente impossível. Enquanto as máquinas operam sob uma lógica binária e limitada, o cérebro humano funciona em uma lógica analógica complexa que cria a própria realidade, uma sofisticação que a tecnologia atual não consegue sequer simular com fidelidade.
Os Riscos para a Educação e para a Cognição Humana
Um dos pontos de maior alerta para os profissionais da educação presentes no congresso foi a preocupação de Nicolelis com os riscos cognitivos e sociais da dependência tecnológica. Ele adverte que o perigo real não é as máquinas passarem a pensar como humanos, mas sim os humanos passarem a pensar como máquinas.
Essa mudança de comportamento pode resultar em:
- Redução da capacidade cognitiva: A delegação de tarefas mentais complexas às máquinas pode atrofiar a autonomia intelectual.
- Perda da sensibilidade humana: Em áreas sensíveis como a educação e a saúde pública, a sensibilidade e a empatia humana são cruciais e insubstituíveis por algoritmos.
- Mecanização do ensino: A adoção acrítica dessas ferramentas no ambiente escolar pode limitar o desenvolvimento da criatividade e do pensamento crítico dos estudantes.
IA como “Jogada de Marketing” e Trabalho Precário
Nicolelis também desmistificou o termo “artificial”. Ele argumenta que a IA depende massivamente do trabalho humano em todas as suas etapas — da criação do código à curadoria de dados — muitas vezes utilizando mão de obra em condições precárias. Para ele, o termo “inteligência artificial” foi uma estratégia de marketing eficaz para atrair financiamento bilionário de setores que não compreendem a real natureza da inteligência.
O Papel do SINTEP/MT no Debate
A participação de Lucas do Rio Verde, através do presidente Eriksen Carpes, neste debate nacional reforça o compromisso do sindicato em entender os impactos dessas tecnologias no cotidiano da sala de aula. O SINTEP/MT defende que a tecnologia deve ser uma ferramenta poderosa sob o controle humano, e não uma substituta para a relação pedagógica e o desenvolvimento humano.
Ao final de sua exposição, Nicolelis defendeu uma maior compreensão científica das reais capacidades da tecnologia, advertindo contra o otimismo excessivo que ignora as limitações fundamentais das máquinas diante da complexidade inigualável da mente humana.
SINTEP/MT – Subsede de Lucas do Rio Verde
Ciência, consciência e luta pela valorização da educação pública.



